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Por que usar dinheiro vivo é uma forma de gastar menos


Psicologia explica como diferentes formas de pagamentos impactam nossos cérebros. Você costuma fazer compras com dinheiro físico, cartão de crédito ou carteiras eletrônicas? Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC Lembro que, quando era menino, guardava meus trocados em uma gaveta especial, as moedas douradas de libras formavam uma pilha precisa. (Embora a pilha nunca ficasse tão grande que prejudicasse a estrutura). Cresci em Hastings, uma pequena cidade costeira em East Sussex (Inglaterra), famosa pela conquista dos normandos (em 1066) e pelo charme litorâneo. Ela tem fama de ser um pouco decadente e está sempre se revitalizando. Ganhei meu primeiro cartão de débito quando tinha 14 anos. Guardei dinheiro para um ano sabático trabalhando em um bingo, e pus o dinheiro em uma conta poupança. Evitava cartões de crédito. Naquela época (2007), as taxas de rendimento giravam em torno de 5%, e me lembro de ganhar 70 libras (R$ 371) certo ano, o que me fez sentir muito rico. Corta para 2018 e eu estava morando e trabalhando em Pequim, China, como um jornalista freelancer. Todos os moradores de Pequim em volta de mim pagavam tudo usando apenas seus celulares. Eles caminhavam até o balcão de um restaurante, comércio ou loja de conveniência, e mostravam um QR code para o caixa escanear. Depois de escaneado, o sistema imediatamente debitava a quantia exata da carteira virtual do comprador. Sem ter de buscar dinheiro na carteira nem esperar por troco. Sem ter de passar um cartão de plástico. A transação levava segundos. Mas eu era teimoso. Meus amigos, tanto ocidentais quanto chineses, tiravam sarro de mim por ser tão tradicional ? por manusear "notas sujas" ? vendo o dinheiro amassado como prova de minha revolta contra a tecnologia. Mas havia algumas razões pelas quais eu continuava usando dinheiro físico e evitava transações virtuais. Primeiro, eu me sentia mais seguro. Não entendia bem como o dinheiro eletrônico funcionaria no meu smartphone e temia que ele pudesse ser facilmente desviado. Em segundo lugar, temia que, ao migrar para pagamentos eletrônicos e perder a inconveniência de pagar com dinheiro, eu acabaria gastando mais. Tinha medo de que ao perder as qualidades tangíveis e visíveis do papel moeda, e a transação física ? de pescar minha carteira, encontrar as notas requeridas, e entregar o dinheiro ? eu estaria perdendo o senso de quanto, a cada dia, eu estaria gastando. Esses temores eram justificados? Conforme mais e mais pessoas ao redor do mundo evitam dinheiro em papel, essas são questões essenciais a se considerar. Antes de entrarmos no universo complicado da psicologia do consumidor, e no conflito entre a economia clássica e a psicologia que levou ao nascimento da economia comportamental, vamos primeiro avaliar o que exatamente é o dinheiro. Babilônia revolucionou a forma como usamos o dinheiro Javier Hirschfeld/Alamy via BBC Dinheiro é um conceito abstrato ? e hoje nós o damos de barato, sem considerar como um pedaço de papel, ou pedaços de metal, têm valor intrínseco. Mas o dinheiro é uma invenção relativamente recente, e representou uma mudança fundamental na sociedade humana, diz Natacha Postel-Vinay, que leciona um curso sobre a história do dinheiro e das finanças na London School of Economics. "Era algo completamente diferente do escambo", diz ela. "Você não precisa de uma correspondência exata entre duas pessoas e seus desejos. Se quisesse comprar pão, o vendedor não precisava receber algo específico de você, seu casaco ou o vegetal da sua horta. Você só precisava de um pouco de prata." Em termos técnicos, o dinheiro é uma reserva de valor e deve ser um item contábil, o que significa simplesmente que deve ser um item padronizado (como uma moeda). O primeiro registro do uso de dinheiro vem dos antigos Iraque e Síria, na civilização babilônica, por volta de 3 mil a.C. Nos tempos babilônicos, as pessoas usavam pedaços de prata que eram medidos conforme uma unidade de peso conhecida como shekel. Vêm da Babilônia os registros dos primeiros preços, anotados por sacerdotes do Templo de Marduk, assim como os primeiros contadores e as primeiras dívidas. Na Babilônia, tínhamos muitas das coisas essenciais para uma economia monetária. Isso incluía o fato de que a prata tinha sua pureza regularmente testada e era uma força estabilizante, como um rei ou um governo, em que as pessoas podiam confiar para garantir o valor do dinheiro. "Em todos os tempos, para que o dinheiro tivesse valor, a confiança foi necessária", diz Postel-Vinay. Mas houve muitas mudanças no dinheiro ao longo do caminho. A Babilônia tinha dinheiro, mas ele ainda era volumoso e precisava ser pesado ? não era tão avançado quanto moedas. Por volta do ano 1000 a.C., outras civilizações passaram a usar metais preciosos e, na Grécia antiga, no reino de Lídia, as primeiras moedas foram fabricadas. As primeiras notas de dinheiro foram usadas na China Imperial durante a dinastia Tang (618-907 d.C.) e eram notas de crédito produzidas privadamente ou notas de câmbio, mas a Europa só adotaria a ideia no século 17. Hoje, o dinheiro não está atrelado a objetos físicos que são eles próprios commodities com valor, como moedas de ouro ou prata, mas usamos uma forma chamada moeda fiduciária, que é uma moeda que um governo estabeleceu como legal. O conceito de crédito (e débito) existia muito antes da invenção de cartões de crédito. "Não precisa ser físico para ser dinheiro", explica Postel-Vinay. O cartão de crédito emitido por bancos foi inventado por John Biggins, do Flatbush National Bank, no Brooklyn, em Nova York, em 1946. Posteriormente, ofereceram-se cartões de crédito a vendedores viajantes, para que os usassem na estrada, nos EUA. No Reino Unido, a Barclays produziu o primeiro cartão de crédito britânico em 29 de junho de 1966. O primeiro cartão de débito surgiu no Reino Unido em 1987. Chips e senhas foram introduzidos em 2003, e cartões de crédito que funcionam por aproximação foram lançados quatro anos depois. Na China, enquanto isso, escanear QR codes com o celular, ou gerar QR codes no celular para que sejam escaneados por comerciantes, tornou-se um meio comum para fazer pagamentos. A rápida adoção de pagamentos eletrônicos na China se explica pelo alcance do aplicativo WeChat no país, que inclui serviços de pagamento virtual, mensagens e funções de mídias sociais; pela popularidade de plataformas de comércio virtual, como a Taobao, da Alibaba; e pelo fato de que a China tem baixos índices de uso de cartão de crédito. A partir de 2015, a adoção de pagamentos eletrônicos em transações do dia a dia se tornou muito mais predominante. Países que têm os maiores índices de compras sem dinheiro vivo incluem o Canadá, onde é comum que cada pessoa tenha mais de dois cartões de crédito. Na Europa, a Suécia é a sociedade que menos usa dinheiro em papel: apenas 13% dos suecos disseram ter usado dinheiro em compras recentes, segundo uma pesquisa nacional feita no ano passado. Em 2010, o índice era de 40%. Em comparação, cerca de 70% dos americanos ainda usam dinheiro semanalmente, segundo um estudo recente do Pew Research Center. Emelie Svensson, uma sueca que trabalha como jornalista em Nova York, diz que os dois países são muito diferentes quanto ao uso de dinheiro. "O sistema gira em torno de gorjetas e muitas lojas nem aceitam cartões, ou a compra deve ser de no mínimo 10 dólares", ela diz, referindo-se à experiência de morar nos EUA. "Mas está melhorando. Há cinco anos, eu pagava meu aluguel com dinheiro vivo!" A China inventou o papel moeda Getty Images via BBC E embora o uso de pagamentos sem dinheiro vivo esteja aumentando no Reino Unido, ele ainda tem um longo caminho a percorrer. Para Moa Carlsson, uma açougueira de 20 anos de Gotemburgo, o país tem uma postura pálida quando comparado à sua Suécia nativa. "Acho que é um pouco divertido e de certa forma quase estranho usar dinheiro vivo", ela diz, quando visita o Reino Unido. "A Inglaterra parece mais antiquada. Me sentiria quase estranha ao não usar dinheiro lá. Acho que a libra é uma parte grande da Inglaterra, muito mais do que a coroa para a Suécia." Para pessoas que vivem em sociedades que usam cada vez menos dinheiro em espécie, os benefícios de pagamentos eletrônicos são óbvios. "É muito conveniente. Você não tem a sensação de guardar 200 libras no bolso ou (a chateação) de ter de sacar dinheiro. 'Onde está o caixa eletrônico?' Está ali no seu bolso", diz William Vanbergen, um empreendedor britânico que chegou à China em 2003 e demorou a aderir a pagamentos eletrônicos. Como Carlsson, ele diz que lidar com dinheiro vivo parece antiquado. Quando Vanbergen viaja a trabalho a Hong Kong, onde o dinheiro em espécie ainda é o método de pagamento mais comum, ou à Inglaterra, ele diz se sentir como se voltasse no tempo. Mas e as desvantagens? Será que pagar sem usar dinheiro físico faz com que as pessoas gastem mais? Essa é uma questão complicada e pressupõe que humanos sejam criaturas irracionais em vários sentidos. Por exemplo, foi mostrado que as pessoas sentem mais dor quando perdem 100 libras do que sentem alegria ao ganhar a mesma quantia. Em outras palavras, a dor da perda machuca mais, embora as duas quantias sejam idênticas. Esse tipo de efeito psicológico alimentou grandes mudanças no campo da economia. No passado, na economia clássica, acadêmicos baseavam suas teorias na suposição de que as pessoas se comportavam racionalmente (de modo que a perda ou ganho de uma quantia igual seriam tratados de forma idêntica por um indivíduo). Mas isso se mostrou falso a partir de estudos psicológicos, levando à criação da economia comportamental e sub-ramos como a psicologia do consumidor. Um dos grandes pesquisadores dessa disciplina relativamente nova é Drazen Prelec. O professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology, nos EUA) fez um estudo sobre um leilão silencioso. O leilão foi feito entre estudantes da prestigiada escola de negócios Sloan e envolvia ingressos para jogos esgotados da NBA, a liga americana de basquete. Os pesquisadores disseram a metade dos participantes que eles só poderiam pagar com dinheiro vivo, enquanto os outros só poderiam pagar com um cartão de crédito. Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Na média, descobriu-se que os que usavam cartão de crédito faziam duas vezes mais lances que os usuários de dinheiro vivo. Isso significa, segundo Prelec, que o custo psicológico de gastar um dólar no cartão de crédito é de apenas 50 centavos. Comprar com cartão de crédito tem claramente impactos na forma como as pessoas gastam, conforme atestado por muitos estudos. Porém, também revelou-se que as contas de cartão de crédito, quando chegam, causam imensa dor ao receituário. Tanto é assim que economistas comportamentais acreditam que isso explica a manutenção da popularidade dos cartões de débito. Mas e quanto ao uso de carteiras eletrônicas (e-wallets)? O que importa aqui é o retorno, diz Emir Efendic, pós-doutor em Psicologia e Economia Comportamental na Universidade de Louvain, na Bélgica. "Com cartões de crédito, você não recebe atualizações instantâneas (sobre as compras). Mas com bancos online, você vê a quantia sendo debitada imediatamente", diz Efendic. "Se você perde os retornos, então sim, você gastará mais". Cartão de crédito inovou ao separar o prazer da compra da dor de gastar Javier Hirschfeld/Getty Images/Alamy Com cartões de crédito, a dor do gasto é atrasada (até que chegue a conta mensal). A grande habilidade dos cartões de crédito, em outras palavras, é que eles têm o poder psicológico de separar o prazer da compra da dor do pagamento. Mas, com carteiras eletrônicas, usuários veem o dinheiro debitado imediatamente. Emily Belton, trabalhadora expatriada britânica que usa o WeChat em Pequim, diz que gosta de receber uma notificação a cada vez que faz um pagamento pelo app, e que seu saldo é atualizado em tempo real. Isso é uma comunicação instantânea e não implica o mesmo efeito que um cartão de crédito. Prelec, porém, descobriu que caminhos neurais são acionados pelo que ele chama de "momento vacilante", quase como uma breve dor física, quando nos separamos de nosso dinheiro. Embora não haja pesquisa semelhante sobre o uso de e-wallets, pode-se presumir que o momento vacilante não ocorra quando pagamos com um smartphone. Mas isso precisa ser mais pesquisado. A dor de se separar do nosso dinheiro impede que gastemos além da conta, mas o aspecto negativo é que ela também rouba parte da alegria de consumir. O custo psicológico, que Prelec chama de "imposto moral", pode ser reduzido de várias formas. Instrumentos como o empacotamento (a inclusão de itens gratuitos na compra de um produto) pode reduzir parte do "imposto moral". O pagamento antecipado é outro método, mesmo quando não há vantagem financeira ? por exemplo, as pessoas têm mostrado preferir pagar as férias em parcelas (ainda que estejam perdendo parte da liquidez em dinheiro vivo). E, quando estão no exterior, as pessoas também acham mais fácil gastar com moeda estrangeira, tratando-a com muito menos seriedade do que o "dinheiro real" de seu país natal. Empresas como o Club Med se valem dessa psicologia ao definir que seus hóspedes comprem fichas de plástico em vez de usar dinheiro. No meu caso, acabei adotando o uso de pagamentos virtuais em Pequim. Achei o sistema impressionante por sua qualidade e conveniência. É como viver num mundo onde você tem todos os benefícios de gastar sem a dor de pagar. Talvez isso seja melhor para as economias, que podem se beneficiar se as pessoas gastarem seu dinheiro mais livremente, e muitos governos no mundo estão tentando estimular isso. Há um velho ditado inglês que diz: "O dinheiro, como o estrume, não faz nenhum bem até que seja espalhado". Mas, às vezes, esse tipo de gasto livre, sem qualquer fricção, leva a um tipo de desconforto. Talvez esse seja o "imposto moral" a que Drazen Prelec se refere, o que é uma tendência psicológica de sentir o custo de oportunidade como dor real. Em outras palavras, posso estar sentindo esse desconforto por imaginar que poderia gastar aquele dinheiro com outras coisas. Conforme mais sociedades migram do dinheiro em espécie para as transações virtuais, a forma como gastamos pode mudar. Mas o dinheiro continuará sendo uma força governante nas vidas humanas. Pessoas tendem a gastar mais quando estão no exterior Credit Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC Weird West Este artigo é parte da nossa série Weird West. Em 2010, uma equipe na Universidade de British Columbia (Canadá) indicou que a pesquisa psicológica contém uma grande falha: boa parte dela se baseia em exemplos de sociedades ocidentais, escolarizadas, industrializadas, ricas e democráticas (as iniciais das palavras em inglês formam o acrônimo "Weird", que batiza a série e significa "estranho" em inglês). Os pesquisadores costumavam supor que seus achados se aplicariam a pessoas de qualquer lugar. Mas, quando analisou o tema, a equipe descobriu que membros das sociedades "Weird" eram, na verdade, as populações menos representativas que alguém poderia usar para fazer generalizações sobre humanos. Da grande imprensa à academia, porém, continua normal ver as sociedades "Weird" como normais, ou ao menos como o padrão pelo qual outras culturas e povos são julgados. Nesta série, mergulhamos nos efeitos disso na vida cotidiana. Que hábitos e formas de pensar são comuns em sociedades Weird que as pessoas de outras partes do mundo podem achar estranhas? E o que isso nos diz não só sobre diferenças culturais, mas sobre nós mesmos? Da hora em que tomamos banho à forma como compramos, esta série reexamina os comportamentos que muitas vezes damos de barato ? e explora como o "padrão" é raramente o melhor ou único caminho. Leia Mais

Como um robô me ajudou a superar a dor da morte de um amigo por câncer


Há muitos aplicativos de saúde mental no mercado, mas o quanto eles ajudam de fato? Alexa Jett achou aplicativo de terapia útil: 'Me tirou daquele lugar sombrio' Alexa Jett/ BBC Alexa Jett, de 28 anos, passou por maus bocados ??nos últimos anos. Ela foi diagnosticada com câncer de tireoide em 2016. E, embora seu tratamento tenha sido bem-sucedido, em agosto de 2019 ela se viu mergulhada em outra crise quando seu melhor amigo e ex-namorado morreu de câncer aos 33 anos. "Me fechei completamente. E comecei a me perguntar se seria a próxima", relembra. Ela não conseguia sair da cama, e as tarefas domésticas foram se acumulando, deixando a casa uma bagunça. Desesperada, procurou ajuda na internet e em um chatbot (software que tenta simular um ser humano em bate-papo por meio de inteligência artificial) de saúde mental, chamado Vivibot. "Ei, por que não traçamos uma meta?", escreveu o chatbot para ela em 10 de setembro. Psicóloga Noël Hunter diz que aplicativos de saúde mental não podem substituir médicos humanos Noël Hunter/ BBC Para começar, ela só precisava pintar as unhas dos pés. Mas essa tarefa simples, combinada com a "personalidade divertida e amigável" do chatbot ? além de sua presença 24 horas por dia, 7 dias por semana ? incentivou Jett a realizar sucessivamente mais tarefas. "Me tirou daquele lugar sombrio, e eu voltei a 'funcionar' novamente", diz Jett. O Vivibot é oferecido pelo GRYT, um aplicativo voltado para pessoas com câncer. Há dezenas de serviços semelhantes, que batem papo com os usuários sobre questões de saúde mental, disponíveis no mercado. Eles oferecem relatórios de humor e dicas sobre como melhorar seu estado mental e emocional. "Esses chatbots são um ótimo primeiro passo para pessoas que podem estar tristes, deprimidas ou ansiosas recuperarem sua saúde mental", diz Danielle Ramo, diretora de pesquisa da Hopelab, que desenvolveu o Vivibot. Ela adverte, no entanto, que os chatbots não podem tratar quadros clínicos de depressão ou ansiedade ? e que não foram criados para substituir nenhum tipo de interação humana. Mas a psicóloga clínica Noël Hunter diz que alguns chatbots não são comercializados dessa maneira e, em vez disso, se apresentam como uma solução para problemas de saúde mental. "Eles são muito cuidadosos em não dizer isso explicitamente, porque seriam processados. Mas as pessoas recebem essa mensagem", afirma. Para Hunter, os chatbots reforçam a ideia de que somos culpados por nosso próprio sofrimento. "Eles fazem você acreditar que, se você consultar o telefone e fazer algumas tarefas de autoajuda, isso vai substituir a natureza curativa de um relacionamento saudável", diz ela. Além disso, os robôs não conseguem entender a comunicação não verbal, que pode indicar muito sobre a maneira como nos sentimos. "Uma grande parte dessa comunicação não verbal, imperativa para o nosso bem-estar geral e para nosso sentimento de preenchimento, é perdida em contextos em que não há interação humana", acrescenta Hunter. No entanto, há um interesse cada vez maior ao redor do mundo em usar a tecnologia em prol da saúde mental. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que uma em cada quatro pessoas sofra com algum tipo de problema de saúde mental ? e pesquisas sugerem que os indivíduos são mais honestos com robôs do que com seres humanos. Até gigantes das redes sociais, como o Facebook, estão entrando no campo da saúde mental digital. Em outubro de 2019, o Facebook lançou um pacote de figurinhas para o Messenger e filtros para o Stories, como parte da campanha Let's Talk ("Vamos conversar"), que tinham o intuito de estimular conversas sobre o assunto pelo aplicativo. "Descobrimos que as mensagens privadas podem tornar mais fácil conversar sobre assuntos sérios ou sentimentais. De fato, 80% das pessoas que usam aplicativos de mensagens sentem que podem ser completamente honestas quando enviam mensagens privadas", diz Antigone Davis, chefe de segurança global do Facebook. Olhando para o futuro, pode chegar um momento em que a inteligência artificial possa estar avançada o suficiente para ter uma compreensão profunda da saúde mental humana. "Podemos ter uma inteligência artificial no nível humano em 2029", diz Peter Diamandis, médico, engenheiro e autor do livro The Future is Faster Than You Think ("O futuro é mais rápido do que você pensa", em tradução livre). Segundo ele, estamos apenas nos primórdios da inteligência artificial, sobretudo na área médica. "A quantidade de dados que agora são coletados por exames médicos, seja uma ressonância magnética do cérebro, testes genéticos ou os resultados de vários exames, tudo isso está muito além da capacidade de um único humano", diz Diamandis. "Na verdade, será uma negligência médica não usar a inteligência artificial em diagnósticos nos próximos 20 anos, possivelmente 10." Peter Diamandis diz que no futuro será 'negligência' não usar inteligência artificial na medicina Getty Images/ BBC Nem todo mundo concorda, no entanto, que a inteligência artificial vai avançar tão rápido. E a pergunta permanece: as pessoas vão ser relacionar com os robôs da mesma maneira que se relacionam com um terapeuta humano? Jett, sem dúvida, acredita que assim. Ela ressalta que a geração dela cresceu com a tecnologia digital ? para ela, é uma extensão da sua existência. Mas Hunter enxerga apenas uma bolha tecnológica que, uma vez estourada, levará as pessoas a recorrer a formas mais tradicionais de cura, seja no consultório de um terapeuta ou por meio da espiritualidade. "Pertencer a certos tipos de comunidades, algo que envolva relacionamentos", afirma. Já Diamandis prevê um equilíbrio, que contempla um forte envolvimento da inteligência artificial ??em nossas vidas. "Imagino que um terapeuta humano usando inteligência artificial seja muito mais poderoso do que um terapeuta humano sozinho", diz ele, acrescentando que, em quase todas as áreas em que a inteligência artificial e os profissionais humanos coexistem para diagnosticar e tratar pacientes, as taxas de sucesso são melhores. Diamandis faz referência ao filme Homem de Ferro para explicar como a inteligência artificial poderá transformar nossa saúde mental. No filme, o super-herói Tony Stark tem um assistente pessoal digital, Jarvis, que marca suas reuniões, atende a porta e até organiza as playlists dele. "Acho que todos nós vamos ter uma versão do Jarvis na próxima década", diz Diamandis. "Um Jarvis que executa nossas tarefas administrativas, como ler nossos e-mails ou atender nossos telefonemas; um Jarvis que vai sentir um clima depressivo dentro de casa e vai revertê-lo, colocando nosso filme favorito ou uma música que ele sabe que vai nos colocar para cima; um Jarvis que nos estudará 24 horas por dia, sete dias por semana e vai aprender sobre nós coisas que nem nós mesmos conhecemos." Leia Mais

Mais empregos, menos reformas: veja as expectativas de economistas sobre o governo após 1 ano de mandato


G1 voltou a ouvir 6 analistas sobre a capacidade do governo Bolsonaro para promover a retomada do crescimento, aprovação de reformas, reequilíbrio das contas públicas e geração de empregos. O comando da Presidência da República por Jair Bolsonaro completou um ano há pouco, com alguns avanços e outros revezes na condução da política econômica, acompanhados com atenção pelos economistas. Em novembro de 2018, um mês após a eleição do novo presidente, o G1 ouviu 6 economistas sobre suas expectativas a respeito da capacidade do governo de promover o crescimento da economia, conseguir aprovação de reformas, reequilibrar as contas públicas e gerar mais empregos. As entrevistas se repetiram 30 dias após a posse e quando o mandato completou seis meses. Na última reportagem da série, o G1 voltou a ouvir os mesmos profissionais entre os dias 8 e 10 de janeiro, um ano após a posse do novo governo. O levantamento mostra que houve melhora nas expectativas em 3 dos 4 pontos questionados, com destaque para as estimativas para as contas públicas e para a geração de emprego ? com cinco dos seis economistas ouvidos avaliando que o governo vai conseguir criar mais postos de trabalho. Houve piora apenas nas expectativas sobre a aprovação de reformas, ainda que a da Previdência tenha tido sucesso. Em julho, todos os seis economistas ouvidos estavam otimistas de que o governo conseguiria a aprovação de reformas; no levantamento atual, esse número caiu para quatro. Veja abaixo o que mudou nas expectativas dos economistas ao longo desse período: 1 mês após as eleições: 1 mês após as eleições: economistas respondem sobre expectativas para o novo governo Juliane Monteiro/G1 1 mês de mandato 1 mês após a posse de Bolsonaro: economistas respondem sobre expectativas para o novo governo Alexandre Mauro 6 meses de mandato 6 meses: economistas respondem sobre expectativas para o novo governo Guilherme Luiz Pinheiro/G1 1 ano de mandato 1 ano após a posse de Bolsonaro: economistas respondem sobre expectativas para o governo Rodrigo Sanches/G1 Participaram do levantamento Alessandra Ribeiro (Tendências Consultoria), Alex Agostini (Austin Rating), André Perfeito (Necton), José Francisco de Lima Gonçalves (Banco Fator), Luís Paulo Rosenberg (Rosenberg Associados) e Marcel Caparoz (RC Consultores). Além de responder "sim" ou "não" às perguntas, os economistas também fizeram análises sobre as questões levantadas. Leia abaixo: Crescimento da economia Dos 6 entrevistados, 5 disseram que o governo Bolsonaro conseguirá promover o crescimento da economia ? 1 especialista a mais do que no levantamento anterior. O avanço das expectativas foi atribuído à melhora de indicadores econômicos do país, como a queda da taxa de juros e inflação sob controle, e além da aprovação de reformas em 2019, com destaque para a Previdência Social. Entenda o que muda com a nova Previdência Social ?Internamente, houve grandes avanços nas questões fiscais que melhoraram as percepções de risco de investidores e empresários em relação ao Brasil. Houve também a redução da taxa de juros para nível historicamente baixo e início da retomada do mercado de trabalho, ainda que de forma moderada", diz Agostini. "Esses fatores são o pano de fundo da retomada econômica, porém, sem grandes alardes, já que nossa estimativa é de alta do PIB [Produto Interno Bruto] de apenas 2,4%", acrescenta. Rosenberg reforça que a melhora dos indicadores irá ajudar na retomada do consumo e dos investimentos. ?O ano de 2019 foi muito bom para criar as condições de crescimento econômico?, diz. ?Do lado das reformas, além da Previdência, o governo abraçou forte a pauta trabalhista, ao criar a Carteira de trabalho Verde e Amarelo e apoiar a flexibilização da CLT. Essa maior liberdade para o setor privado também ajuda no crescimento?, afirma Rosenberg. Saiba mais sobre o programa Verde e Amarelo André Perfeito destaca que o foco do governo em aumentar investimentos por meio do estímulo ao setor privado é uma estratégia que leva mais tempo para surtir efeito na economia. ?Como o intuito do governo é melhorar a produção, isso implica em mais investimento e investimento é algo que demora pra acontecer. Apesar do crescimento até ganhar certa tração, temos ainda uma reação tímida no mercado de trabalho, por exemplo. Logo a sociedade deve sentir pouca melhora no curto prazo?, diz Perfeito. Já Gonçalves acredita que a política fiscal contracionista do atual governo reduz o potencial de crescimento do país. ?Na medida em que o governo encolhe os investimentos e reduz as suas compras, isso impacta diretamente a atividade, já que o Estado tem uma participação importante na economia. O setor privado não consegue, sozinho, estimular a economia?, diz. Reformas econômicas Deputados votam o texto-base da reforma da Previdência no plenário da Câmara em 10 de julho de 2019 Michel Jesus/Câmara dos Deputados O número de economistas que aposta na continuidade de aprovação das reformas diminuiu do levantamento anterior para este. Enquanto em julho de 2019, todos os 6 analistas estavam positivos, neste mês, somente 4 esperam mais aprovações. Foi o único item que apresentou piora nas expectativas em relação à avaliação feita há seis meses. Quando os economistas responderam ao levantamento de julho, a Câmara dos Deputados estava perto de aprovar, em primeiro turno, a reforma da Previdência Social. Mesmo os especialistas que acreditam na continuidade das reformas avaliam que haverá mais dificuldades este ano. Segundo eles, as principais discussões das casas legislativas em 2020 girarão em torno das reformas tributária e administrativa, além das Propostas de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo e PEC Emergencial. Estas três últimas são uma série de propostas para controlar gastos e reduzir o tamanho da máquina pública. Entenda as medidas do governo para ajustar as contas públicas Caparoz diz que a próxima reforma que pode ser aprovada é a tributária. Porém, a possibilidade de ausência de consenso e eleições municipais podem travar o encaminhamento. ?Ao contrário da reforma da Previdência, cada congressista defende uma reforma tributária própria. Ainda que se concorde sobre a necessidade de uma reforma tributária, não há qualquer consenso sobre os pilares das mudanças que devem ser realizadas?, avalia Caparoz. ?Os parlamentares têm apressado as comissões que analisam as propostas de reforma tributária. Se não for aprovada até o meio deste ano, é provável que fique para o ano seguinte, uma vez que a agenda será completamente tomada pelas articulações em torno das eleições municipais?, acrescenta. Perfeito tem uma avaliação semelhante. Além das eleições para as prefeituras, ele pontua que: ?As reformas são de cunho federativo e, neste sentido, será necessário uma maior atuação do presidente Bolsonaro para mediar eventuais tensões. Sabemos que ele está num momento frágil (construindo um novo partido), logo será limitada sua capacidade de atuação?, diz. Já Alessandra Ribeiro está mais positiva e afirma que o Congresso mostrou, ao longo de 2019, que tem uma ?propensão bastante reformista?. ?Além de o Congresso ter um alinhamento com a equipe do Ministério da Economia, eles sabem que precisam melhorar a sua imagem perante o público. E, essa melhora, passa pela retomada da economia, o que, por sua vez, depende de reformas?, diz Ribeiro. Nas projeções dela, a PEC Emergencial, a reforma administrativa e uma parte do Pacto Federativo devem começar a ser aprovados a partir do segundo semestre de 2020. "Não consideramos a aprovação da reforma tributária em nosso cenário básico", afirma a economista da Tendências. Contas públicas Já com relação à capacidade do governo de reequilibrar as contas públicas, a perspectiva melhorou. Dos 6 entrevistados, 5 apostam no ajuste contra apenas 2 no levantamento anterior. Ribeiro avalia que o governo deve começar a ter superávit (receitas maiores que despesas, sem os juros da dívida) a partir de 2022, último ano do mandato de Bolsonaro. ?A recuperação da atividade econômica vai gerar um aumento da arrecadação de tributos e as privatizações e concessões trarão receitas extras. Além disso, o governo deve continuar cortando gastos?, diz Ribeiro. Nas projeções dela, o governo deve arrecadar cerca de R$ 15 bilhões por ano de receitas extraordinárias até o final do mandato. Rosenberg também vê as privatizações e concessões como ?essenciais? para a melhora imediata das contas públicas e diz que, se o governo conseguiu melhorar as suas finanças com o Brasil ?crescendo pouco? em 2019, em torno de 1%, ?com a economia avançando mais rapidamente em 2020, em 2,5%, fica mais fácil?, diz. Já Gonçalves avalia que as receitas extras não trazem equilíbrio no longo prazo. ?A melhora recente nas contas do governo veio mais de recursos não recorrentes, o que, por definição não é equilibrar as finanças, apesar de ter um efeito de diminuição do déficit?. Como ele espera que a economia continue apresentando um crescimento ?mais modesto? em 2020, o economista não vê a receita de tributos avançando de forma significativa. Soma-se a isso, o corte de investimentos públicos que, em sua avaliação, reduz tração da economia e, portanto arrecadação. Geração de empregos Desempregados fazem fila no Vale do Anhangabaú, na cidade de São Paulo, em busca de uma vaga Pâmela Kometani/G1 Houve também melhora na expectativa de geração de empregos. Entre os 6 entrevistados, apenas 1 economista está mais pessimista com o mercado de trabalho. No levantamento anterior, 3 estavam mais negativos. Agostini diz que, além da reforma trabalhista, ?que já surte efeito com geração de empregos intermitentes em alguns setores?, a criação do programa Verde Amarelo vai estimular geração de emprego para os jovens entre 18 a 29 anos. ?Ademais, a queda da taxa de juros tem estimulado a recuperação de setores que são intensivos no uso da mão de obra, como, por exemplo, o setor da construção civil?, diz Agostini. Já Caparoz e Perfeito chamam a atenção para a qualidade dos postos que devem ser gerados. ?O mercado de trabalho está sendo amplamente desregulado e novas tecnologias criaram novos ofícios. De fato a taxa de desemprego deve continuar a cair, mas o emprego criado é de pior qualidade no sentido da renda. Este deve ser o tom ao longo do ano?, diz Perfeito. Caparoz acrescenta que salários baixos e emprego sem estabilidade, inibem o consumo dos trabalhadores. ?O nível de informalidade ainda deve ser grande?, reforça. Agostini, por sua vez, espera que, mantido o cenário atual, a tendência é que, a partir de 2021, a qualidade do emprego e da renda comece a melhorar. ?Ou seja, teremos menos subempregos e empregos temporários e valorização dos salários?. Ribeiro afirma que a própria retomada da economia vai estimular novas vagas, mas que a taxa de desemprego cairá lentamente. ?Na média do ano, a taxa de desocupação deve fechar 2019 em 11,9%, após ter alcançado 12,3% em 2018. Em 2022, essa taxa deve terminar em 11%?. Leia Mais

Cacau orgânico tira pequenos agricultores da pobreza na Bahia


Produtores planejam inaugurar sua própria fábrica de chocolate, financiada de forma colaborativa. Esse tipo de cultura responde por apenas 1% da produção nacional do fruto. Produtores avaliam qualidade do cacau orgânico em fazenda na Bahia Morgann Jezequel/AFP Em uma encosta de uma colina, na Bahia, os grãos de cacau levam dias secando no interior de uma estufa. "É a nossa última colheita e já temos comprador", conta, entusiasmado, Rubens Costa de Jesus, agricultor da fazenda comunitária Dois Riachões, que reúne 39 famílias. Antes sem terra e agora instalados a 80 km do litoral da Bahia, esses pequenos agricultores produzem cacau, frutas e verduras sem usar fertilizantes ou agrotóxicos. Pará retoma liderança na produção de cacau Sua produção faz parte das cerca de 1.900 toneladas de cacau orgânico cultivadas no Brasil em 2018, menos de 1% da produção nacional. Todos os agricultores são nativos da região e, em 2001, se estabeleceram em Dois Riachões, mais precisamente em precárias instalações situadas próximo a uma estrada. Na época, a propriedade de 400 hectares pertencia a uma grande família de produtores de cacau que não cumpria com os critérios de produtividade impostos pelo governo. Seis anos depois, após uma desapropriação judicial do terreno e mesmo com recurso apresentado por parte dos antigos proprietários, esses produtores decidiram se instalar em uma parte da terra e cultivar ali os seus produtos, sempre usando métodos exclusivamente orgânicos e sistema agroflorestal para o plantio de cacau. Quatro hectares por família Na fazenda comunitária, cada família é responsável por cultivar quatro hectares de árvores de cacau e participa da manutenção da horta comunitária. Em 2018, após acabarem todos os recursos judiciais da família desapropriada, a Justiça concedeu a posse da propriedade para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que assim permitiu oficialmente aos produtores que pudessem permanecer no terreno. Fazenda Dois Riachões, na Bahia, pertencia a uma grande família de produtores de cacau que não cumpria com os critérios de produtividade impostos pelo governo Morgann Jezequel/AFP "Antes trabalhávamos em plantações convencionais de cacau, o que apenas nos permitia sobreviver. Além disso, a situação piorou quando as zonas de cultivo foram devastadas por uma praga chamada vassoura da bruxa, que levou muitos à falência", explicou Costa de Jesus, de 31 anos. "Produzir nosso próprio cacau, que é orgânico, finalmente nos permite viver do nosso trabalho". Para conseguir comercializar a produção, eles primeiro passaram a fazer parte de um programa público de apoio à comercialização de produtos da agricultura familiar. Porém, as compras subsidiadas pelo Estado foram caindo e os agricultores tiveram que buscar outras opções. Receita triplicada Em 2016, a Dois Riachões recebeu sua primeira certificação de produtos orgânicos, reconhecida pelo Ministério da Agricultura, o que permitiu aos produtores a venda dos produtos nas feiras ecológicas da Bahia. Participaram de capacitações, plantaram árvores mais resistentes, melhoraram seus métodos de produção e instalaram a estufa para secar e melhorar a qualidade dos grãos comercializados. Agora vendem a maioria do seu cacau fino às grandes marcas brasileiras de chocolate. A pedido do seu principal cliente, a empresa Amma Chocolate - cuja produção é somente de produtos orgânicos, os quais exporta uma parte - a fazenda comunitária solicitou e obteve o selo Ecocert, líder mundial nas certificações de produtos orgânicos, em 2018. No Brasil, essa classificação só foi concedida a dois produtores de cacau orgânico, entre eles a Dois Riachões. "Essa marca nos paga duas vezes mais do que o preço do mercado, assim como outro cliente nosso, a empresa Denga, que só compra cacau fino e nos paga um adicional de 30% pelo cacau orgânico. Isso nos fez triplicar nosso lucro", ressalta Costa de Jesus. Atualmente, os pequenos produtores planejam inaugurar a sua própria fábrica de chocolate, financiada de forma colaborativa. No Brasil, menos de 400 produtores de cacau têm o certificado nacional de cultivo orgânico, e sua produção continua sendo baixa, principalmente pela "dificuldade de vender o produto" em algumas regiões, explica Manfred Willy Müller, coordenador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), vinculada ao Ministério da Agricultura. No estado do Pará, no último ano, em um grupo de cooperativas com 126 agricultores, 85% da sua produção de cacau orgânico teve que ser vendida como cacau convencional por falta de estrutura comercial, lembra Müller. Veja também: Pará retoma liderança na produção de cacau Liderança na produção de cacau 'volta para casa' no Pará com a união de agricultores Leia Mais

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